Crédito à habitação voltou a ficar mais caro em Junho. O que pode fazer agora para pagar menos ao banco?
- JC LEAO

- 21 de jul.
- 4 min de leitura
Atualizado: 6 de ago.
Depois de dois meses consecutivos de descida, os juros do crédito à habitação voltaram a subir. Os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a tendência de alívio nas prestações foi interrompida em junho, numa altura em que as taxas Euribor voltaram a subir e o Banco Central Europeu (BCE) retomou o aumento das taxas diretoras. Não são boas notícias.

Para quem tem um crédito com taxa variável, esta é uma notícia que merece atenção. Não significa que a prestação vá aumentar imediatamente para todos, porque depende da Euribor a que o contrato está indexado e da data da próxima revisão. Mas mostra que, pelo menos por agora, o ciclo de descida parece ter sido interrompido.
Juros sobem novamente
A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação subiu para 3,101% em junho, quando em maio era de 3,065%. É uma subida de 3,6 pontos base e representa a primeira inversão depois das quedas registadas em abril e maio.
Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa também aumentou, passando de 2,820% para 2,853%.
À primeira vista, uma diferença de algumas centésimas pode parecer pouco significativa. Mas, quando aplicada a empréstimos de centenas de milhares de euros durante várias décadas, traduz-se em prestações mais elevadas.
Prestação média aumenta
O INE indica que a prestação média dos créditos à habitação passou para 411 euros por mês, mais 6 euros do que em maio e mais 17 euros do que no mesmo mês do ano passado.
Nos contratos mais recentes, o aumento foi ainda mais expressivo: a prestação média subiu 23 euros num único mês, atingindo 715 euros, o que representa uma subida homóloga de 13,5%.
Quase metade da prestação ainda são juros
Um dos dados mais relevantes do comunicado do INE é que 49,1% da prestação média corresponde ao pagamento de juros.
Na prática, dos 411 euros pagos em média todos os meses:
202 euros servem apenas para pagar juros;
209 euros amortizam efetivamente o empréstimo.
Ou seja, em muitos casos continua a acontecer que praticamente metade da prestação não reduz a dívida ao banco.
As famílias continuam a dever mais dinheiro
O capital médio em dívida nos contratos de crédito à habitação voltou igualmente a aumentar.
Segundo o INE, o valor médio passou para 78.865 euros, mais 608 euros do que no mês anterior.
Este aumento resulta da conjugação de vários fatores, entre eles a celebração de novos empréstimos com montantes mais elevados devido ao aumento do preço das casas.



